sexta-feira, 25 de abril de 2014

SOBRE UM COMERCIAL TAILANDÊS...

Caros, 
Vejam que "sacada" da Ogilivy, em comercial na Tailândia!
https://www.youtube.com/watch?v=uaWA2GbcnJU&feature=player_embedded
Scheila Fogaça



Prezada
Bela mensagem!
Enquanto mensagem, é muito ética e, portanto, universal!
Um belo exemplo de "life style" que nos faz pensar!
Por um momento eu achei que ele não suportaria a demanda,... em alguns casos, até mesmo transmutada em obrigação!...
Mas a caridade desprendida tornou-se sustentável de forma miraculosa e sinérgica, inesgotável e retroalimentada.
Fiquei pensando em ajuda real e verdadeira, aquela onde se ensina a pescar, mesmo que no início, às vezes bem prolongado, se opte por dar apenas o peixe!...
[ou seja, a diferença entre políticas de inserção e políticas de inclusão social]
Ao final, porém, me dei conta de que esta é uma propaganda de "seguros"...
Como missão e valor, ela deveria proporcionar garantias (em pecúnia) para "vidas", mas desde que seja uma "vida boa", plena, e que valha a pena ser vivida.
Mas será que uma empresa de "seguros" efetivamente faz isso?!
Ao tentar "valorizar" a vida [criar valor intangível para ela] objetivaria-se, indiretamente, fazer o mesmo com as apólices, este sim, produto comercializável do seu negócio e do qual faz propaganda!
Creio que este é um belo caso de confusão e imbricamento (seja intencional ou não) entre meios e fins, como vc mesma aponta, essencial no mundo do Marketing.
Enorme paradoxo que quando desdobrado e desconstruído, revela as contradições de uma mensagem que, à primeira vista, teria tudo para ser nobre!
Só nos resta escolher esta parte, aquela que o "dinheiro não compra", como diz a mensagem principal e paradoxal do vídeo, num mundo sedento de valores qualitativos mais elevados!
Bjs e obrigado!
Fernando Hello


Fê, muito legal sua reflexão. O que chamou minha atenção foi como e por que motivo, eu havia me emocionado. Confesso que em nenhum momento a "seguradora" cliente da agência de publicidade, atrapalhou-me. Se a publicidade fosse no Brasil, talvez eu pensasse sim, se precisasse, em escolher "tal" seguradora. Mas isso foi secundário. E a isso atribuí o valor de "acertar o alvo". Foi uma criação "inteligente" ao meu modo de ver as coisas. A "criação" trabalhou o imaginário positivo. Certamente essa "criação" não se daria no Brasil porque os valores tácitos da Tailândia são diferentes dos do Brasil. Aqui soaria "falso", impossível, ou fraudulento... Mas era apenas isso. Eu "guardei" a mensagem da publicidade (talvez porque eu seja um pouco assim... quem sabe??), independente de qual produto a publicidade desejasse vender. Para mim ela "vendeu" a validade da generosidade, sempre. [...]
Valeu!!
Scheila Fogaça

Prezada
Concordo em gênero, número e grau!
Pensando em cima disto, fico imaginando: e se esta fosse uma propaganda, por exemplo, de uma ONG trabalhando com qualidade de vida, ou com solidariedade social, economia solidária, empoderamento de populações marginalizadas em países de cultura competitiva e excludente, de capitalismo selvagem, etc.
O que eu quero dizer é que ela seria tanto mais excelente quanto mais alinhados e afinados seus diferentes planos, intencionalidades e contextos, todos sinérgica e mutuamente potencializados!
Sem ser da área, creio que este seria o "Graal" da propaganda!
... uma grande alquimia, ao transformar chumbo em o-u-r-o!
Besos
Fernando Hello

SOBRE A QUESTÃO DA #VIOLÊNCIA: ASSUSTADORES RITUAIS DE PASSAGEM

Prezado
... por onde andas?... 
[...]
Escrevo aproveitando o ensejo, pois ontem finalmente entendi o porquê esses menores matam e fiquei duplamente estarrecido: primeiro, porque com toda minha formação e experiência, não conseguia entender e jamais imaginaria que o motivo era este e, segundo, pela crueza do fato em si.
Ontem, indo à um Seminário sobre "Economia Solidária na Pedagogia das Virtudes", ouvindo uma professora da Faculdade Educação da UnB [Dra. Sônia Marise Carvalho] sobre o assunto, ela relatou uma experiência com menores infratores num desses presídios.
Depois de um tempo, diz ela, trabalhando adquirindo confiança do grupo, este resolveu lhe contar o porquê eles tinham, mais cedo ou mais tarde, que matar, e o motivo, fiquei boquiaberto, era puramente simbólico: ELES MATAM SIMPLESMENTE PARA SEREM "INICIADOS" (RITUAL DE PASSAGEM) E, ASSIM, PASSAREM A SER RECONHECIDOS E A FAZER PARTE DO GRUPO E SE AUTO AFIRMAREM!!!
Essa constatação, através desse relato, que faz todo o sentido, me deixou completamente estarrecido!!!
Finalmente eu havia descoberto o porquê de mortes tão absurdas e violentas praticadas por esses menores.
Simples assim! Tão simples que derruba todas as teorias sofisticadas para explicação da violência, etc. e tal.
E faz todo o sentido pois tanto essa autoafirmação quanto a afirmação frente ao grupo é próprio e característico dessa idade! É óbvio! Mas, ao mesmo tempo, perverso!
Assustador, real e cruel!!!...
Abs
Fernando Hello
Olá Fernando,
[...] 
Devo retornar às atividades no dia 23/04.
Quanto aos menores já tinha lido algo sobre o assunto e realmente não surpreende, porque talvez complete uma parte do pensamento que eu tenho
que é a "indole" do sujeito; é perversa, embora alguns acreditem em cura.  Mesmo sendo jovens, você há de convir que matar uma pessoa para se afirmar perante o grupo, é antes de mais nada, uma pessoa com graves problemas de personalidade, é assim que enxergo.
Se mesmo jovem, ele não tem nenhum respeito pela vida, pelo próximo e por coisas simples como fraternidade e outras coisas mais, e a própria lei que é no mínimo conivente com os "menores", isto vai acabar mal.  É só lembrar que a "vida" de um futuro marginal vai em média até os 25 (vinte e cinco) anos, você sabia? Se ele não morrer vai para a cadeia.  Ou seja, não tem futuro.  Bom não vou me estender mais e agradeço pela sua atenção.
Um abraço
Pedro Mendes
Alô camaradas,
É interessante a pesquisa ou melhor esclarecedora, a respeito de um ponto que para mim não foi analisado: a responsabilidade dos pais.
Agora, imputar a responsabilidade totalmente sobre a sociedade é que é um erro.  Não se cobra nada dos pais? Não tem responsabilidades nenhuma os pais?
Acho que o diagnóstico está correto mas as atitudes para corrigir é que são elas e ai começam os problemas.
E não é só educação que vai resolver.  Tem que avaliar bem os problemas sociais, médicos e psicológicos também, eles são importantes.
É preciso ter cuidado com as coisas que se diz, senão, os "menores" não têm nenhuma responsabilidade e seus responsáveis também.
Bem é minha opinião, leiam o artigo abaixo, é importante para entender o problema, ou parte dele.
http://www.correiobraziliense.com.br/app/noticia/cidades/2014/03/25/interna_cidadesdf,419282/mais-da-metade-dos-menores-infratores-nao-tem-a-presenca-do-pai-na-familia.shtml
Um abraço para todos.
Pedro Mendes


quinta-feira, 24 de abril de 2014

"PROCURAM-SE ESTUDANTES" - Thomaz Wood Jr. (Revista Carta Capital – 10-Abr-2014) 

"Além do mico-leão-dourado e do lobo-guará, outro mamífero tropical parece caminhar para a extinção."
"Diz-se que uma espécie encontra-se ameaçada quando a população decresce a ponto de situá-la em condição de extinção. Tal processo é fruto da exploração econômica e do desenvolvimento material, e atinge aves e mamíferos em todo o planeta. Nos trópicos, esse pode ser o caso dos estudantes. Curiosamente, enquanto a população de alunos aumenta, a de estudantes parece diminuir. Paradoxo? Parece, mas talvez não seja. 
Aluno é aquele que atende regularmente a um curso, de qualquer nível, duração ou especialidade, com a suposta finalidade de adquirir conhecimento ou ter direito a um título. Já o estudante é um ser autônomo, que busca uma nova competência e pretende exercê-la, para o seu benefício e da sociedade. O aluno recebe. O estudante busca. Quando o sistema funciona, todos os alunos tendem a se tornar estudantes. Quando o sistema falha, eles se divorciam. É o que parece ocorrer entre nós: enquanto o número de alunos nos ensinos fundamental, médio e superior cresce, assombram-nos sinais do desaparecimento de estudantes entre as massas discentes. 
Alguns grupos de estudantes sobrevivem, aqui e acolá, preservados em escolas movidas por nobres ideais e boas práticas, verdadeiros santuários ecológicos. Sabe-se da existência de tais grupos nos mais diversos recantos do planeta: na Coreia do Sul, na Finlândia e até mesmo no Piauí. Entretanto, no mais das vezes, o que se veem são alunos, a agir como espectadores passivos de um processo no qual deveriam atuar como protagonistas, como agentes do aprendizado e do próprio destino.
Alunos entram e saem da sala de aula em bandos malemolentes, sentam-se nas carteiras escolares como no sofá de suas casas, diante da tevê, a aguardar que o show tenha início. Após 20 minutos, se tanto, vem o tédio e o sono. Incapazes de se concentrar, eles espreguiçam e bocejam. Então, recorrem ao iPhone, à internet e às mídias sociais. Mergulhados nos fragmentos comunicativos do penico digital, lambuzam-se de interrogações, exclamações e interjeições. Ali o mundo gira e o tempo voa. Saem de cena deduções matemáticas, descobertas científicas, fatos históricos e o que mais o plantonista da lousa estiver recitando. Ocupam seu lugar o resultado do futebol, o programa de quinta-feira e a praia do fim de semana.
As razões para o aumento do número de alunos são conhecidas: a expansão dos ensinos fundamental, médio e superior, ocorrida aos trancos e barrancos, nas últimas décadas. A qualidade caminhando trôpega, na sombra da quantidade. Já o processo de extinção dos estudantes suscita muitas especulações e poucas certezas. Colegas professores, frustrados e desanimados, apontam para o espírito da época: para eles, o desaparecimento dos estudantes seria o fruto amargo de uma sociedade doente, que festeja o consumismo e o prazer raso e imediato, que despreza o conhecimento e celebra a ignorância, e que prefere a imagem à substância.
Especialistas de índole crítica advogam que os estudantes estão em extinção porque a própria escola tornou-se anacrônica, tentando ainda domesticar um público do século XXI com métodos e conteúdos do século XIX. Múltiplos grupos de interesse, em ação na educação e cercanias, garantem a fossilização, resistindo a mudanças, por ideologia de outra era ou pura preguiça. Aqui e acolá, disfarçam o conservadorismo com aulas-shows, tablets e pedagogia pop. Mudam para que tudo fique como está.
Outros observadores apontam um fenômeno que pode ser a causa-raiz do processo de extinção dos estudantes: trata-se da dificuldade que os jovens de hoje enfrentam para amadurecer e desenvolver-se intelectualmente. A permissividade criou uma geração mimada, infantilizada e egocêntrica, incapaz de sair da própria pele e de transcender o próprio umbigo. São crianças eternas, a tomarem o mundo ao redor como extensão delas próprias, que não conseguem perceber o outro, mergulhar em outros sistemas de pensamento e articular novas ideias. Repetem clichês. Tomam como argumentos o que copiam e colam de entradas da Wikipédia e do que mais encontram nas primeiras linhas do Google. E criticam seus mestres, pois são incapazes de diverti-los e de fazê-los se sentir bem com eles próprios. Aprender cansa. Pensar dói."

Prezado Gilberto Canto
Tomando a liberdade de publicar neste Blog este texto acima que vc me enviou, tentei esboçar alguns comentários a respeito.
Efetivamente... nunca tinha me dado conta desta distinção que o autor faz entre aluno e estudante!
Entendo, porém, que ela é o ponto central da mensagem que ele quer passar, apesar do jogo de palavras, mesmo porque, comumente, usamos as duas palavras indistintamente (ou seria  impensadamente...!?)
Concordo com o autor na avaliação que ele faz da realidade atual da sala de aulas.
Mas, por outro lado, essa mudança de posicionamento subjetivo que faz o indivíduo passar de aluno a estudante, não seria ela a própria missão ("impossível", como dizia Freud) da educação?!... Não seria esse o próprio Ethos da Educação?!... Não seria esta a matéria-prima sobre a qual deveria agir o processo educativo?!... sobre esse aluno que deverá virar estudante autônomo e cidadão emancipado?!...
Creio que faltou autoanálise ao autor, à própria função do educador e ao lugar a partir do qual ele critica o próprio substrato da sua intencionalidade educativa!
Afinal, como pode o artista escultor criticar a pedra bruta?!...
Creio que esse é o nosso enorme desafio como educadores em tempos de Internet, redes sociais e iPhones... hummm...
Por isso é que eu sempre digo (e até mesmo me policio o tempo todo): a educação é um terreno movediço onde, a cada instante, a cada segundo, temos que repensar nossas práxis e aprender de nosso próprio discurso e do lugar a partir do qual falamos o que falamos... ou seja, a eterna diferença entre enunciados e enunciações, entre discursos e práticas! 
Freud, definitivamente, explica!
 

Abs

Fernando Hello

quinta-feira, 3 de abril de 2014

TAO – A SABEDORIA DO SILÊNCIO INTERNO

TAO – A Sabedoria do Silêncio Interno

DIÁLOGO SOBRE AVIÕES NO FACEBOOK...


Espetacular aterrisagem em Queenstown-NZ

Jose Liborio É por isso que eu admiro todos os profissionais civis e militares de aviação. Não tem tecnologia que supere a capacidade desse povo, só torna as coisas mais fáceis. Costumo dizer que quando eu entro em uma aeronave confio 1000% em todos os profissionais envolvidos e que se acontecer algo, ao menos vou de um lugar mais perto de Deus.
O que acho incrível é que quando falamos com um ou uma comissário(a) , piloto civil ou um veterano de guerra militar parece que eles foram simplesmente fazer algo e não foi nada demais... O caramba! São elite de uma atividade maravilhosa!
Que presentão ! Me levou às lágrimas. Obrigado!


Fernando Antonio Hello Pois é, Jose Liborio, eu compartilho seus comentários, suas paixões pela aviação e as emoções que ela nos desperta. Certamente, o filme nos leva a uma dimensão espacial, que destaca nossa relação com o planeta através das leis imutáveis da natureza. E ninguém melhor que um profissional da aviação para conhecê-las a fundo e respeitá-las rigorosamente, em seu sentido mais estrito. Creio que é exatamente isto o que nos emociona: o conhecimento e o respeito rigoroso à tantas leis em jogo na consecução segura dos objetivos dessa atividade (transportar pessoas de forma segura, rápida e confortável), o que enobrece sobremaneira a função, e nos ensina a todos uma relação de profundo respeito, admiração e reverência às especificidades da natureza, da vida e, por extensão, do planeta que habitamos e que, no fundo, tanto amamos! Abs.

Gilberto Allesina Já pousar em Tegucigalpa, mesmo com todas as tecnologias existentes, é sempre um desafio para os corações... http://www.youtube.com/watch?v=iAxAso8xSo0

Gilberto Allesina Outro pouso tenebroso em Tegu... http://www.youtube.com/watch?v=Jw4PHhLBbrU  

sexta-feira, 17 de agosto de 2012

DIÁLOGO NO FACEBOOK... SOBRE A COMPLEXIDADE #PÓS-MODERNA...





Boaventura - Epistemologia del Sur


Giba Canto

Caros Edson e Fernando, o que vocês acham dessas idéias do Boaventura de Souza Santos? Abs, Giba Canto.
Fernando Hello15 de Agosto de 2012 15:04
Prezado Gilberto: gostei da questão de "adjetivação de conceitos"; remete à uma análise de discurso em escansão, o que nos faz lembrar a força do simbólico no humano, que gera novas articulações significantes, ou seja, saber, e que, segundo ele, estão "a gerar novas práticas"... É bem isso: o avanço do saber faz confluir, sobrepondo, conhecimento, ciência e práxis, compondo uma nova ética que re-dimensiona, rearticula dialeticamente e implica incisivamente, de forma inovadora, o(s) discurso(s) e a(s) prática(s) (HELLO, 2009), como eu digo em minha Tese. Fantástico o Boaventura... de uma lucidez sem igual, sempre apontando esperançosamente a definitiva e redentora luz no fim do túnel! Quem sobreviver, verá! Abs, Fernando Hello.
Giba Canto15 de Agosto de 2012 21:03

Fernando, como o povo, analfabetos funcionais em sua ampla maioria, pode entender ou mesmo imaginar o que ocorre neste mundo pós-moderno, com a complexidade que o teu texto revela?

Fernando Hello16 de Agosto de 2012 10:08
Oi, Gilberto. Conforme vamos avançando nas articulações, infelizmente, a complexidade aumenta, e não há como fugir disso. Creio que é exatamente sobre isso que o próprio Boaventura está falando nesse vídeo, embora usando outros referenciais teóricos, daí sua riqueza. Avançamos, via articulação significante, sobre novos saberes o que, por sua vez, nos implica em novas práxis e em novos compromissos, direitos e deveres, inclusive morais e éticos. Sob esse ponto de vista, ao avançarmos e nos desenvolvermos, paradoxalmente restringimos nosso grau de liberdade e adentramos cada vez mais a "cultura" (civilização), mesmo porque "saber e não fazer, ainda não é saber", como nos diz um ditado anônimo chinês. É o preço a ser pago; citando Lacan, é a "castração simbólica" [substituir a "coisa" pela "palavra"] que, embora nos limite, nos faz cada vez mais Humanos, no sentido pleno e amplo da palavra! [... sempre a palavra!...] Abs, Fernando Hello.

quinta-feira, 12 de agosto de 2010

ENTRE MENINOS E HOMENS…

“Quando eu era menino…” — disse Paulo sem nostalgia do tempo decorrido...
Assim deveria ser com todo homem satisfeito com a alegria da maturidade.
Sim! Lembrar do tempo em que se era menino na fé em Cristo, mas não com saudade.
Menino faz meninice...
Paulo, no texto acima, retirado de I Coríntios 13, não diz qual era a sua meninice, mas nos dias que ele já fora apenas um menino... Também ele havia sido um dia um menino.
Entretanto, considerando que ele diz que a maturidade de um homem somente é alcançada quando o homem aprende o caminho sobremodo excelente, a vereda do amor, então, é para se supor que a meninice de Paulo fora confiar mais na certeza da verdade do que na verdade do amor.
O fato que até em Cristo [e, sobretudo, em Cristo...] Paulo viu que as coisas poderiam ficar pequenas e infantis, conforme ele via na fé dos discípulos de Jerusalém [com os que estavam com Tiago], alguns deles ainda tão meninos e presos ao que já não era...
Entretanto, Paulo fez a viagem toda... Não nasceu escrevendo aos Efésios. Teve que viver...
Teve todas as fases de impressões...
Línguas, profecias, curas, milagres, ciência, sabedoria, fé, coragem altruísta, esperança, tudo.
Não demorou, no entanto, para que ele visse que sem amor toda aquela construção seria tão sem sentido quanto o era a tentativa de agradar a Deus pela Lei apenas.
Era possível que um cristão virasse fariseu pela simples observância da fé em Jesus, porém, sem amor e misericórdia.
Ora, certamente foi a partir de si mesmo que Paulo também discerniu as infantilidades [de fato: transitoriedades] anteriores da revelação nas Escrituras, de acordo com o tempo de maturidade do povo, na sequência histórica que se pode acompanhar pela Bíblia.
Ele teve que não apenas deixar a mente de um fariseu educado aos pés do Rabino Gamaliel, e que ainda muito jovem já se destacava no meio de todos, ganhando poder, confiança e prestigio. Sim! Ele teve que deixar também a tentação de conciliar a fidelidade à Torá, ao Velho Testamento, com o fato de que em Jesus a maior de tudo aquilo deixara de ser ou de ter qualquer valor: tornaram-se apenas sombra de coisas que em Jesus haviam sido realizadas e consumadas.
Paulo nada diz, porém, eu creio, pelo que sinto no modo como ele se serve do Velho Testamento em suas cartas, que seu modo de sentir os textos das Escrituras levava em consideração as épocas e os contextos; porém, a ênfase da leitura era sempre espiritual e centrada em Jesus.
Para mim, falando de como eu sinto os textos, é mais ou menos assim:
A linguagem do Gênesis, por exemplo, segue o modelo narrativo universal, que até as crianças podem entender.
O Êxodo é um livro da pré-adolescência da fé, com todas as aventuras da hora e do tempo da libertação.
Os demais livros narram a juventude rebelde de Israel.
Os profetas são as vozes que se levantam contra o estado adolescente de Israel, em face do fato de que já deveriam ser adultos, mas não eram.
Os salmos são os espasmos da lucidez da alma ante a cegueira do povo, a maior parte deles.
O Cativeiro em Babilônia foi o “Campo de Concentração” no qual a criancice idolátrica de Israel foi curada, pelo menos no que tangia à primitividade da manifestação do que fosse idolatria grosseira.
O interregno entre a idade adulta escravizada e a vinda do Messias, Jesus, foi um tempo de idade adulta carente e perdida...
Então vem o que é...
Vem Jesus!
Nesse ponto a Revelação se plenifica.
Já não há mais nada a ser acrescentado.
A Palavra se Encarnara.
Deus está conosco.
Porém o povo das Escrituras não discerniu a Palavra.
Entretanto...
Sobre um dia ter sido criança e andado na direção da maturidade no amor, o que percebi foi que assim como foi na linearidade da história, assim tem sido também comigo como individuo.
Todos os que estamos andando no Caminho da Vida em Jesus tivemos o tempo gênesis, a fase êxodo, as rebeldias enfrentadas por profetas, os próprios exílios e enganos; e, sobretudo, a chegada do tempo das desilusões salvadoras, quando fica apenas Jesus e a pessoa; sem nada mais entre ambos.
Assim segue...
Este é o processo...
Encantamento... — gênesis.
Libertação de cativeiros... — êxodos.
Excesso de auto confiança e rebelião... — reis e templo.
Culto ao si mesmo... — as ameaças de cativeiro.
Cativeiros outras vez... — Babilônia sempre volta.
Solidão. Silencio — sem profetas.
Então, Deus em Plenitude!
Somente a Palavra.
Assim foi com Israel. Assim foi com Paulo. Assim é comigo. Assim está sendo com vocês. Com nós todos.
O caminho sobremodo excelente faz a viagem toda...
Por isto é que para Paulo tudo o que não fosse ainda somente a Palavra e somente amor, conforme Jesus, ainda era coisa de menino.
Assim, aprende-se que no Caminho todos temos estado..., embora andando em meninice.
Todavia, o que se afirma é simples:
Pode-se fazer a viagem para sempre..., mas ela somente se conclui quando o amor passa a ser [no Caminho] o caminho sobremodo excelente.
Foi assim na história linear da REVELAÇÃO... Até a Encarnação do Amor: Jesus.
É assim na viagem pessoal de auto-conhecimento e de crescimento na Revelação; até que a Palavra vá se tornando amor, amor, amor em nós.
Todos nascemos bebês. Todos já fomos meninos. Já nos distraímos com muitas coisas... Mas ninguém se torna adulto em Cristo enquanto não aceita que o Dogma é apenas amor; e que sem amor toda "adulteza" é mera criancice.
Sim! Sem amor Abraão é apenas um velho obcecado; Moisés é um narcisista preferindo um trono no nada... do que qualquer segundo lugar no Egito...
Sem amor, Josué pode ter tido fé, mas o sol apenas tostaria a sua cabeça... Davi, sem amor, seria apenas um adultero e homicida, surtado pelo ego.
Sem amor os profetas nada fizeram de bem para si mesmos. Sem amor Daniel seria apenas um serviçal vendido a qualquer que fosse o rei ou o reino.
Sem amor a Lei se tornava trevas e morte...
Sem amor nada existe no homem que Deus chame de ‘adulto’.
Sem amor, Paulo entendeu, nada tem valor algum. E mais: discerniu que qualquer outra compreensão era ainda ilusão de menino.
Nele, que é amor,
God bless you!
No deserto mas com camelo!

Ricardo Piconi
 
Oi, Ricardo

Belíssima analogia que vc faz!!!
Seguindo a sua lógica, estaríamos, então, entrando num período de maturidade, de intimidade com Deus e de maior compreensão de seus mistérios!...
Porém, se olharmos à volta, vemos de tudo; e entre um extremo e outro, há homens na meninice e outros na maior maturidade possível.
Entendo assim que o mundo e a vida são como aquelas escolinhas de antigamente onde, numa mesma sala, conviviam alunos de vários anos, separados em filas, com seus respectivos conteúdos sendo ministrados pela mesma professorinha, que se esforçava ao máximo para dar conta de tantas demandas, como se pode imaginar numa situação dessas...
Seja como for, alunos da vida que somos, mirando diariamente a misteriosa mas eficaz pedagogia divina, vemos nossos colegas-irmãos mais novos avançando por lições pelas quais já passamos e aprendemos, ao mesmo tempo que vislumbramos ou inferimos/intuimos, sem compreender completamente, os mais velhos, naquelas pelas quais ainda passaremos. Tudo ao seu tempo...
Nessa escola maravilhosa, todos, a bem-dizer, ensinam a todos; todos, no fundo, aprendem, "com(-)tudo" e com todos!
Mistérios da vida, mistérios de nossa própria evolução, tanto individual quanto coletiva.


Abs.


Fernando Hello